Em meu texto anterior, dei início à descrição das 5 evidências materiais que atestam historicamente a ressurreição de Jesus. Entender que a ressurreição de Jesus não é uma mera crença, mas sim um evento histórico real com evidências verificáveis, é de importância fundamental para a fé cristã. Isto vai de acordo com os ensinamentos do apóstolo Pedro, quando disse que devemos estar “sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pe 3:15), e também com o apóstolo Paulo, ao dizer que “se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé” (1 Co 15:14).

Ao leitor, sugiro que aproveite este tempo da Páscoa para compartilhar com as pessoas que lhe são próximas que a fé cristã não é apenas um sentimento pessoal e privado que te traz um mero bem estar psicológico, mas é baseada em um evento histórico real: a ressurreição de Cristo.

Eis os 5 fatores que atestam historicamente a ressurreição de Jesus.

1) A morte de Jesus por crucificação;
2) Seu enterro no túmulo;
3) O túmulo vazio após três dias;
4) As experiências dos discípulos na crença de que Jesus realmente ressuscitou;
5) As conversões de Paulo e de Tiago.

Na primeira parte, tratamos dos 3 primeiros fatos. Este é a segunda e última parte do texto, que tratará dos 2 úlltimos fatores.


As experiências dos discípulos com Jesus ressurreto

Após a crucificação de Jesus e antes da ressurreição, os discípulos ficaram amedrontados, desmoralizados e, basicamente, tentaram se esconder, temendo que pudessem ser os próximos. Mais tarde, após as experiências relatadas com Jesus ressurreto, eles mudaram completamente de atitude. Conforme instruídos por Jesus, eles saíram e começaram a pregar o evangelho publicamente, assumindo grande risco pessoal e sem ganho algum por isso. Quase todos foram mortos pelas suas crenças e nunca se retrataram, mesmo quando enfrentavam tortura e morte.

Muitas pessoas chegam a morrer e se entregar por algo que acreditam ser verdade. No entanto, ninguém morre por algo que sabe ser falso. Como eles se declaravam testemunhas oculares do Cristo ressurreto, os discípulos estavam em boa posição para conhecer a verdade de Suas afirmações. Eles estavam lá e acreditavam honestamente que tinham visto, tocado, comido e falado com Jesus ressurreto.

Essas experiências impactaram e muito os discípulos. Suas próprias ações após essas experiências são testemunho forte suficiente disso. No entanto, existem outras pessoas que também testemunham esse fato. Vários pais da igreja primitiva, que interagiram e depois sucederam os apóstolos originais, testemunharam pessoalmente esses impactos e escreveram sobre a convicção dos discípulos sobre o que haviam visto. Entre estes estão inclusos Clemente de Roma e Policarpo, este que foi martirizado aos 86 anos de idade por volta do ano 160 d.C.

Inácio, um colega de Policarpo, que foi martirizado em Roma por volta de 107 d.C, escreveu em sua carta à igreja de Esmirna que os discípulos, depois de ver Jesus ressurreto, ficaram tão comovidos e encorajados que “desconsideraram a morte”.

Tertuliano, escrevendo por volta de 200 d.C em Scorpiace (cap. 15), registra as mortes de Pedro e Paulo e acrescenta que, se alguém duvidar dos relatos cristãos de alguma das mortes dos discípulos, eles poderiam verificar os registros públicos. Essa declaração sugere fortemente que tais registros existiam na época e estavam abertos ao escrutínio público.

Orígenes, um pai da igreja posterior, escreveu em Contra Celsus que a devoção dos discípulos a Jesus “foi realizada com perigo para a vida humana”, mas que eles “foram os primeiros a manifestar sua desconsideração pelo terror da morte”.

A crença na ressurreição surgiu logo de imediato após aquelas experiências com o Jesus ressurreto. Os discípulos de Jesus foram dominados por um sentimento que os transformou de pessoas amedrontadas e desmoralizadas em evangelistas muito dedicados que devotaram suas vidas a compartilhar o Evangelho. Todos, menos João, morreram como mártires por suas crenças, mas João sofreu tortura e exílio. As explicações dos críticos de que os discípulos teriam roubado o corpo, ou que Jesus de alguma forma teria sobrevivido à crucificação — a teoria do desmaio —, ou que os discípulos tivessem experimentado várias alucinações em massa, caem por terra depois de um exame mais detalhado, fazendo com que a explicação da ressurreição fique mais convincente.

As Conversões de Paulo e de Tiago

A pessoa de Paulo é central para a história cristã. Sua obra missionária em todo o Império Romano da época foi fundamental para difundir o Cristianismo na população gentílica, ou seja, não-judia. No entanto, Paulo nem sempre foi amigo da fé cristã. Originalmente chamado Saulo de Tarso, ele era fariseu e inimigo declarado da igreja nascente. Ele trabalhou ativamente para identificar os cristãos e ajudar a persegui-los.

As coisas mudaram de modo abrupto em algum momento entre 31 e 36 d.C. Ao viajar para Damasco, Saulo teve um encontro marcante com o Jesus ressurreto. O resultado desse encontro foi que ele mudou seu nome para Paulo e começou uma missão longa e perigosa para ajudar a espalhar a mensagem cristã aos gentios. No início dos anos 60 d.C, Paulo foi executado sob a autoridade do imperador romano Nero.

A história de Tiago, irmão de Jesus, pode ser remontada através de fontes cristãs e não-cristãs. Segundo todos os relatos, Tiago era um judeu piedoso que não teria seguido Jesus durante seu ministério terreno. De fato, ele era cético em relação àquilo que Jesus afirmava, e permaneceu assim até logo depois que Jesus foi crucificado.

Após a crucificação, Tiago foi visitado pelo Jesus ressurreto. Essa experiência teve um enorme impacto em Tiago, e ele se tornou um cristão muito comprometido. E assim, ele assumiu mais tarde uma posição de liderança na igreja em Jerusalém. Em meados da década de 60 d.C, ele foi morto desempenhando seu papel de disseminar as crenças cristãs.

Seria fácil descartar a história de Tiago como se fosse mera “propaganda cristã”, se não fosse tão bem atestada em tantas fontes. Algo que é muito importante e precisa ser lembrado é que mesmo as fontes que hoje estão na Bíblia devem ser tratadas com seriedade porque elas nunca foram planejadas para serem coletadas em um livro sagrado, num primeiro momento. São livros e cartas escritas por pessoas diferentes em diferentes épocas para cumprir propósitos diferentes, e só então, mais tarde, foram reunidas em um cânon bíblico. No entanto, todos esses escritos se complementam um ao outro. Essas fontes incluem os evangelhos de Marcos e João; um antigo credo oral, citado por Paulo em sua primeira carta à igreja de Corinto; o livro dos Atos dos Apóstolos e a carta de Paulo para a igreja da Galácia, a carta de Gálatas. E para finalizar, várias fontes atestam o martírio de Tiago: o historiador judeu Flávio Josefo, e também os historiadores antigos Hegesippus (110-180 d.C) e Clemente de Alexandria (150-215 d.C), como citado por um historiador posterior, Eusébio (260-340 d.C).

As conversões de Paulo e Tiago não são apenas estórias, mas sim história, eventos históricos reais. A questão é: se esses homens não tivessem sido visitados pelo Jesus ressurreto, como alguns críticos afirmam, então o que os teria feito tomar atitudes assim, tão fundamentais para o Cristianismo?

Conclusão

A ressurreição de Jesus é o cerne da fé cristã. Sem a ressurreição, o Cristianismo não existe. Conforme o apóstolo Paulo já nos informou, “se Cristo não ressuscitou, logo é vã a nossa pregação, e também é vã a vossa fé” (1 Co 15:14).

A história da ressurreição está sob questionamento e intensas críticas por quase dois milênios, mas ainda assim permanece absoluta, e com uma forte base histórica para apoiá-la. Para quem quiser aprender mais sobre este assunto tão importante, especialmente nesta época da Páscoa, há inúmeros recursos disponíveis, incluindo os trabalhos de Craig Blomberg, Gary Habermas, Mike Licona, Josh McDowell, Lee Strobel e N.T. Wright. É claro, não vamos nos esquecer, vale a pena ler as próprias histórias dos evangelhos na Bíblia.

É uma história que pode mudar sua vida.


Saulo Reis
Saulo Reis

Diretor do Acrópole da Fé Cristã e mestrando em Matemática pela Unifesp. Engenheiro de Computação por profissão; professor de Matemática por paixão; Teólogo por amor a Deus.

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